Monday, December 24, 2007

FILHO DE ALICE VÍTIMA DE CAR JACKING

"Estava eu sob os efeitos do Alka Seltzer – azia, consequência ainda do Natal e das filhoses e azevias – quando o meu filho André, de 7 anos, irrompe pelo meu quarto e grita aflito: ”Mãe! Mãe! Fui vítima de car jacking”. Atordoada por aquela entrada abrupta, receosa pelo que lhe pudesse ter acontecido (aparentemente nada de especial, pois ele estava ali bem vivo e mal disposto), nem me apercebi do preciosismo da linguagem que ele utilizara: “car jacking”... Mas onde é que ele já ouvira aquilo?
Mais serena, perguntei-lhe afinal o que acontecera e ele disse-me que dois meninos um pouco mais velhos do que ele, armados com uma metralhadora de plástico e uma espada mágica, o tinham obrigado a dar o seu BMW novinho em folha – prenda de Natal do avô – e também o telecomando (antes tinham-lhe perguntado se ele tinha telemóvel.) E continuava a chorar desalmadamente, era a quarta vez este ano que tal lhe sucedia! Abracei-o, fiz-lhe uns miminhos, e disse-lhe que ele estava era a ter azar pois as estatísticas (ele deveria saber o que eram, pensei eu, pois se sabia o que era o car jacking!) diziam, afirmara o ministro, e quem era eu para o desmentir, que Portugal era o País mais seguro da Europa e este ano até tinha havido menos crimes que no ano passado (é certo que aquelas mortes do pessoal da noite no Porto era barra pesada, como diria a minha prima brasileira, mas...). E assaltos lá no bairro era porta sim, porta não, mas já nem diziam à polícia, que não valia a pena. Car jacking já me tinham avisado, era uma prática espalhada por toda a região, como sucedera em pleno dia, mesmo em frente aos Correios, no centro da cidade, ainda recentemente.
Não ligara, pois deveriam ser boatos!
Acalmado o miúdo, e porque não havia nada a fazer, pensei em avisar os outros pais através do jornal. Nisto entrou o Quico, o novo habitante (canino) lá de casa, prenda de Natal de uns queridos amigos, que não tinham que ir com ele à rua..., e o meu filho, ainda receoso, ia para lhe pôr a trela, que fazia parte da prenda. Aí levantei-me, rapidamente, e, num tom suficientemente impositivo, disse-lhe:
“Aqui em casa, nunca ninguém andou ou andará de trela!"

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